segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Adágios


quinta-feira, 26 de março de 2015

A Maldição da Lua Negra - Parte 11




O Capitão Diabo da Tempestade parou de caminhar e ergueu uma das mãos, fazendo sinal para que os demais parassem também. Maia cerrou os olhos de curiosidade, enquanto Ladak mais uma vez estremeceu ao ver o Capitão falar alguma coisa com Neonca. Viraram-se em direção aos dois prisioneiros da ilha, e caminharam em direção a eles novamente.

- Pelos deuses, eles estão voltando, Maia... -sussurou Ladak.

Maia continuou calada, curiosa com o que faria o Capitão voltar. Observou com ansiedade o velho caminhar sobre a areia quente, com os polegares presos sobre o cinto de couro ao lado de uma espada de lâmina fina que reluzia com a luz do sol. Mais uma vez teve a impressão de que Neonca tentava lhe dizer alguma coisa, mas novamente o lenço que cobria seu rosto tirava qualquer possibilidade de Maia perceber sua expressão.

terça-feira, 10 de março de 2015

A Maldição da Lua Negra - Parte 10



- Nada de prova, Neonca! Ainda não é hora da prova, saia daqui! -gritou um velho anão de barba farta e castanha enquanto segurava uma colher de pau em uma das mãos e na outra um ramo de folhas verdes e murchas. Vestia-se com um avental encardido, manchado com sangue e restos de comida.



- Não vim por causa da prova ainda, Pé de Pino. Vim lhe trazer uma ajudante. -Neonca disse apresentando a jovem. - Esta é Maia. Está sob encalço do Capitão.



A cozinha do navio não era bem como Maia esperava. Um enorme caldeirão fervia em meio a brasas quentes, tornando o pequeno ambiente abafado e quente, com somente uma janela e a porta, por onde todo o vapor corria tentando escapar. O delicioso cheiro de ensopado contrastava com restos de peixe jogados por cima de uma mesa de madeira, junto com restos de legumes, e com o que agora Maia pode ver que eram algas, e não apenas folhas verdes e murchas. Ao lado da mesa, alguns sacos de batatas, e diversos ramos de temperos presos a parede. Pouco espaço havia para transitar por entre a bagunça daquela cozinha, e apenas alguns minutos lá dentro já foi suficiente para fazer com que a testa de Maia ficasse molhada de suor.

domingo, 25 de janeiro de 2015

A Maldição da Lua Negra - Parte 9




A luz da manhã bateu com força em seu rosto, como se pudesse feri-la, o que resultou em uma expressão desagradável e retorcida da jovem que pouco havia dormido, devido ao lugar incômodo e, principalmente pela ansiedade de um novo dia. Quando finalmente conseguiu pregar os olhos, a claridade veio com força em sua direção. De contra o sol, o máximo que ela conseguiu ver era uma silhueta, que ela desconhecia completamente, mudando de ideia quando ouviu a voz:



- Bom dia, Maia. O capitão deseja lhe ver. Deve estar com fome... -disse o homem moreno que havia lhe desfeito as amarras na noite passada.



Maia, ainda tonta com a claridade, se levantou apoiando-se no chão, do que agora ela pode confirmar ser um depósito de alimentos, e conforme se movimentou, seus olhos foram acostumando-se com a luz, confirmando ser o moço de pele morena em frente ao seu quarto.

domingo, 18 de janeiro de 2015

A Maldição da Lua Negra - Parte 8



- Porque está me olhando assim? -Maia perguntou com estranheza.



- Eu? -perguntou Andi surpreso, depois de ter sido desperto de seus pensamentos repentinamente. - Eu nem estava te olhando...



- Estava sim... Pensava no que? -perguntou Maia encolhida de frio com as roupas de baixo molhadas. Era comum em Zolkan que homens e mulheres, por debaixo de suas roupas usassem roupas íntimas, cobrindo os seios e as genitais. Mais comum ainda era a normalidade em aparecer assim em público. Em festas todos acabavam assim: os homens e mulheres vestidos apenas com tangas e lenços cobrindo os seios, enquanto dançavam em frente aos bardos.



- Em nada de importante... -ele respondeu tranquilo com uma evasiva, desviando o olhar da jovem menina.



Maia deitou-se no chão macio a beira do rio, que ficava a poucos metros da fogueira e da barraca que haviam feito junto com Wee, Azirráh e os outros para passar a noite. O sol já havia ido dormir, mas não fazia frio. O vento batia de leve, fazendo um som agradável ao movimentar delicadamente as folhas das árvores, trazendo o perfume doce das flores que beiravam o rio que corria lentamente sobre pequenas pedras. As duas luas e estrelas brilhavam como nunca, iluminando a relva em uma luz prata. Cachorro aproximou-se do menino, e deitou também, encostando a cabeça nas pernas do jovem que estava sentado com as duas mãos apoiadas na grama do chão ao lado da menina.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Diálogo entre dois andarilhos.

  Santhea e eu nascemos numa aldeia perto daqui, ficava bem próxima a muralha. A aldeia Ridry talvez você conheça, hoje em dia ela não existe mais, não que eu saiba pelo menos.
 Ela foi atacada por  magos de Zolkan a anos atras, naquele dia perdemos muitas... perdemos muita coisa, e tivemos de migrar pra Mercantia. Foi um caminho bastante conturbado, atravessamos a floresta e caminhamos por dias, com todos aqueles que conseguiram sobreviver, havia muitos idosos e crianças, incluindo Santhea que na época não passava dos 12 anos.
Então fomos emboscados enquanto nos aproximávamos de Mercantia, por soldados de Zolkan, eu não lembro bem do que aconteceu a seguir, meu primeiro impulso foi esconder a Santhea das flechas que vinham de todos os lados, a única coisa que eu via eram os corpos caindo ao meu lado, enquanto a segurava.

sábado, 20 de dezembro de 2014

A Maldição da Lua Negra - Parte 7



"Acabei de chegar da festa no salão do navio. Haviam muitas pessoas importantes por lá. Mal cheguei e Emahú já correu para me receber,  com toda aquele ânimo insuportável. É claro que ela estava cercada de amigas, todas com lindos vestidos, perfumadas e enfeitadas, e todas elas pararam para me observar, como se eu fosse um animal exótico naquele salão. Acho que isso aconteceu porque não usei vestido, e sim minha couraça negra de praxe.